Doutrina Social da Igreja

Olá para você que entra mais uma vez em nosso site, nesse post trazemos um tema que muitos Católicos não sabem que existe, que é a doutrina social. Diversas vezes esse assunto é confundindo com os ensinamentos doutrinais referente a fé, ou seja, toda a explicação existente na oração do Creio. Temos que entender, separar e colocar cada coisa no seu lugar. Deixando claro que a doutrina social e a doutrina da fé Católica andam juntas e se complementam diante dos temas apresentados nos documentos. Pois bem, caso queria saber um pouco sobre doutrina da fé veja o seguinte post (CIC).

Doutrina é um ensino, sendo a Doutrina Social da Igreja – DSI, o ensinamento da Igreja de como o ser humano deve viver em sociedade, a começar da primeira sociedade que é a família, tratando da atividade econômica, atividade política, e as diversas atividades exercidas em sociedade, à luz do Evangelho, na revelação vivida pela Igreja.

A DSI começa com a própria igreja, existindo desde o seu início, e desenvolve um ensinamento, sobre juros, usura, preço justo, lucro, politica, família…

Tem seu início sistemático à partir de 1891, com a (encíclicas sociais) Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, passando a possuir uma especificidade magisterial, a doutrina social que estava diluída no ensinamento da Igreja, ganha um espaço, com um específico magistério social da Igreja

87 A locução doutrina social remonta a Pio XI e designa o corpus doutrinal referente à sociedade que, a partir da Encíclica Rerum novarum (1891) de Leão XIII, se desenvolveu na Igreja através do Magistério dos Romanos Pontífices e dos Bispos em comunhão com eles.

(Parágrafo 87 do Compêndio)

Desde a Rerum Novarum, foram escritas diversas encíclicas papais que tratam da Doutrina Social da Igreja, sendo que no ano de 2004 a DSI foi organizada em um compêndio, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja produzido até aquela ocasião.

Veja as etapas do ensinamento social católico em ordem cronológica:

De 1891 até hoje, a doutrina social da Igreja foi um ensinamento constante por parte de todos os papas.

Leão XIII (1878-1903), na Rerum Novarum (1891), denunciou as condições miseráveis em que vivia a classe operária, protagonista da revolução industrial.

Pio XI (1922-1939), na Quadragesimo Anno (1931), amplia a doutrina social cristã. Aborda o difícil tema do totalitarismo, encarnado nos regimes fascista, comunista, socialista e nazista.

Pio XII (1939-1958), papa durante a guerra e o pós-guerra, focaliza a atenção nos “sinais dos tempos”. Ainda que não tenha publicado uma encíclica social, em seus numerosos discursos há uma imensa variedade de ensinamentos políticos, jurídicos, sociais e econômicos.

João XXIII (1958-1963), na Mater et Magistra (1961) e na Pacen in Terris (1963), abre a doutrina social “a todos os homens de boa vontade” e, assim, a questão social se torna um tema universal que afeta e é responsabilidade de todos os homens e povos.

– Com a Constituição pastoral Gaudium et spes (1965), o Concílio Vaticano II sublinha o rosto de uma Igreja realmente solidária com o gênero humano e sua história. Já na declaração Dignitatis humanae (1965), o Concílio enfatiza o direito à liberdade religiosa.

Paulo VI (1963-1978), na Populorum Progressio (1967) e na Octogesima adveniens (1971), afirma que o desenvolvimento “é o novo nome da paz” entre os povos. Ele cria o Pontifício Conselho “Justiça e Paz”.

João Paulo II (1978-2005) compromete-se na difusão do ensinamento social em todos os continentes. Escreveu três encíclicas sociais: Laborem Exercens (1981), Sollicitudo Rei Socialis (1987) e Centesimus Annum (1991). Além disso, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004) leva a sua assinatura apostólica.

Bento XVI (2005), em sua encíclica social Caritas in veritate (2009), defende o desenvolvimento integral da pessoa pautado caridade e na verdade.

A DSI, documentada através destas encíclicas é a palavra da Igreja em termos de solução de problemas sociais e políticos, do mundo, e possui quatro princípios permanentes: A dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade; a solidariedade.

Princípio da Dignidade humana

Cristo, o Filho de Deus, “com a Sua encarnação, num certo sentido, se uniu a cada homem” por isso a Igreja reconhece como sua tarefa fundamental fazer com que tal união se possa continuamente atuar e renovar. Em Cristo Senhor, a Igreja indica e entende, ela mesma por primeiro, percorrer a via do homem, que convida a reconhecer em toda e qualquer pessoa, próxima ou distante, conhecido ou desconhecido, e sobretudo no pobre e em quem sofre, um irmão “pelo qual Cristo morreu” (Compêndio 105)

Princípio do bem comum

Por bem comum se entende: “o conjunto de condições da vida social que permitem, tanto aos grupos, como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a própria perfeição” (Compêndio 164)

Princípio da Subsidiariedade

O princípio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores e solicita estas últimas a ajudar os indivíduos e os corpos intermédios a desempenhar as próprias funções. A experiência revela que a negação da subsidiariedade, ou a sua limitação em nome de uma pretensa democratização ou igualdade de todos na sociedade, limita e, às vezes, também anula, o espírito de liberdade e de iniciativa. (Compêndio 187)

Princípio da Solidariedade

Em face do fenômeno da interdependência e da sua constante dilatação, subsistem, por outro lado, em todo o mundo, desigualdades muito fortes entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, alimentadas também por diversas formas de exploração, de opressão e de corrupção, que influem negativamente na vida interna e internacional de muitos Estados. “A solidariedade, portanto, se apresenta sob dois aspectos complementares: o de princípio social e o de virtude moral”. (Compêndio 193)

Por fim, resume-se que a doutrina social da igreja tem como fundamento principal buscar a igualdade de todos em dignidade e direitos, ao caminho comum dos homens e dos povos para uma unidade cada vez mais convicta.

“A doutrina Social da Igreja é como uma verdadeira revolução antropológica, cuja proposta é anunciar a verdade de Cristo na sociedade. É colocar a verdade de Cristo na sociedade, na vida do povo, para que haja justiça.”

Cardeal italiano Camillo Ruini.

Por Ivana Gabriela

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