COMO AVANÇAR NA VIDA DE SANTIDADE

Nós, que já participamos da igreja a algum tempo, temos sempre um desejo de querer nos aprofundar na vida de santidade. Podemos cair na tentação de querer ser novidadeiros, buscar sempre algo novo – mirabolante – para fugir da mesmice das pregações que sempre ouvimos. Mas, por que não revisitarmos o que já sabemos para relembrar aquilo que é essencial? Vamos lá, todos já ouvimos e sabemos: somos amados por Deus, Deus é amor e nós queremos retribuir o seu amor amando – sendo santos.

Se queremos nos aprofundar na vida de santidade, primeiro é preciso fazer a pergunta fundamental: o que é ser santo? Diz o Papa Francisco:

“Tu tens que descobrir quem és e desenvolver o teu caminho próprio de ser santo, independentemente daquilo que dizem e pensam os outros. Chegar a ser santo é tornar-te mais plenamente tu mesmo, ser aquele que Deus quis sonhar e criar, não uma fotocópia”.

(Christus Vivit, n. 162)

Ou seja, ser santo é tornar-se aquilo que se é: filho de Deus! E, como sabemos que fomos criados por Amor e para Amar, ser santo é tornar-se capaz de viver totalmente na lógica do amor. Por isso, tornar-se santo nos pede um processo profundo e intenso de autoconhecimento. Esse processo precisa ser feito na dinâmica das três relações do amor: a mim mesmo, ao próximo e a Deus. Podemos pensar o fazer-se santo como um exercício diário de descobrir quem eu sou através do como eu amo. Ser santo é, descobrindo-me, aceitando-me, superando-me, tornar-me capaz de amar sempre mais e melhor.

Mas, como posso fazer isso?

Lembram daquele jovem rico? Pois bem, vamos ver o que Cristo nos ensina com a vida dele.

Tendo perguntado ao Cristo o que era preciso fazer para ter a vida eterna (tinha desejo de santidade!) a resposta foi: “Observa os mandamentos”. Mas, isso o jovem já fazia. Então, perguntou: “Que me falta ainda?” – Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. (Cf. Mt 19, 16-26)

O que Cristo pede ao catequisado é algo simples, mas não fácil. Desapega-te, deixa de lado a mentalidade de que apenas seguir os mandamentos é o que te faz perfeito, é a mensagem de Jesus. O que te faz perfeito, santo, é a caridade – e, através dela, o seguimento Aquele que nos traz a boa nova. Se queres ser santo, vive na ótica do amor e vem, tu – sem riquezas, sem seguranças, apenas tu – e segue-me, é o chamamento a cada um de nós. Torna-te santo, torna-te capaz de doar o que tens aos necessitados – seja atenção, carinho, afeto, dinheiro ou apenas a alegria que brota do teu encontro com Deus.

Cristo nos convida, através daquele jovem, a voltar o nosso olhar sobre aquilo que é o centro do anuncio cristão: Deus é amor! (1 Jo 4, 8). De novo, pedindo auxílio ao Papa, podemos dizer que o centro da nossa fé (e as verdades que nos tornam santos!) são essas: Deus nos ama! Cristo nos Salva! Ele vive! (Christus Vivit, cap. IV)

Se queremos ser perfeitos, precisamos lembrar sempre dessas três verdades. Tendo descoberto cada uma delas, precisamos anunciá-las com as nossas vidas, através da alegria da nossa juventude. Quem descobriu este grande tesouro do amor de Deus, do Cristo que salva e da vida que Dele brota, não pode ser triste! Ele é o motivo da nossa alegria e, por isso, não podemos desanimar.

Ser Água Viva é ser esse sinal no mundo de uma alegria que contagia. É ser sinal no mundo enquanto pessoas santas, encontradas, que se amam, amam os outros e conhecem o Amor. Ser Água viva é muito mais que obedecer mandamentos, muito mais que decorar normas, muito mais que não pecar contra os mandamentos. Ser Água viva é dar vida a água parada que o mundo é.

E aí, o que falta na minha vida e na tua vida para que nós possamos ser esse sinal de amor? Quais dimensões da nossa existência precisamos revisitar, arrumar, lavar com a água do amor para superar uma vida de “cumpro minhas obrigações” e transformá-la em uma vida de “vivo a caridade”? O que precisa de um novo impulso de amor?

Para cada um de nós fica o convite:

Enquanto lutas para moldar teus sonhos, vive plenamente o hoje, entrega tudo e enche de amor cada momento. Porque é verdade que este dia pode ser o último, e então vale a pena vivê-lo com toda vontade e com toda profundidade possível”.

(Christus Vivit, n. 148)

Por Paulo Zanelato Silvano13 de janeiro de 2020

Hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor!

“Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova, que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor”

É assim que Deus anuncia o nascimento de Jesus, o menino luz que veio ao mundo para nos revelar o caminho para o céu, e a imensidão que é o amor de Deus por seus filhos.

Quando olhamos para o presépio, sempre encontramos Maria, José e o menino Jesus, eles que juntos formam a Sagrada Família, que é a instituição divina pela qual Deus tem infinito amor e escolheu para se fazer carne neste mundo. 

Maria, a mais bela flor do jardim da humanidade, gerou o mais belo fruto, o salvador! Ela que foi escrava do Senhor, se entregando de corpo e alma, para fazer a vontade de Deus no plano da salvação eterna. Sempre encontramos Maria, como a intercessora, a auxiliadora e a mais humilde das criaturas, abdicando de si em prol do outro, como quando vai visitar sua prima Isabel que está grávida. A Rainha entregou-se por inteira, amou infinitamente e confiou cegamente no Pai.

José, o homem a quem Deus escolheu obedecer! Homem reto, justo e fiel, que o Pai confiou a criação e educação do menino Deus. Ele que teve uma vida de santidade, sendo discreto e temente a Deus, deu a sua honra, renunciou aos seus planos pessoais, e deu a vida em silêncio. José foi o provedor, o protetor, o educador e o homem que amou infinitamente a sua família, sempre recebendo e obedecendo as indicações de Deus com o coração aberto.

Jesus, o Verbo encarnado! O menino Deus, que nesta noite se fez luz para iluminar a escuridão em que o mundo se encontrava. Ele que é a fonte de amor e esperança, que é o caminho que nos conduz ao céu para o encontro com o Pai Eterno, quis vir ao mundo através da pureza de uma Mãe, a Virgem Maria, e quis ser cuidado e ensinado por José, o homem casto e fiel. 

A Sagrada Família, é o grande exemplo que temos de como viver segundo os planos de Deus, e estar com o coração preparado para viver o natal. Com ela aprendemos a viver o amor concreto, de generosidade, compreensão, dedicação, caridade e justiça. 

Que neste período de natal, possamos refletir sobre a nossa vida, sobre o caminho que estamos seguindo, para que não sejamos como aquelas pessoas, em Belém, que não acolheram José e Maria para que o menino Jesus pudesse nascer. Que o nosso coração esteja pronto para acolher a luz de Cristo, a fonte inesgotável do amor, e aguardar a sua vinda Gloriosa.

Que sejamos como Maria, a que se entrega a Deus de corpo e alma, nos entregando também cegamente ao colo do Pai, sempre abdicando de si em prol do próximo. Que sejamos como José, que é justo, fiel e obediente à Deus, confiando nossa vida aos planos do Pai com fidelidade, justiça e amor. Que sejamos como Jesus, que nasceu para iluminar o mundo e o conduzir até ao Pai, sendo testemunhos vivos do evangelho, vivendo conforme os planos de Deus e santificando a vida do próximo, para que um dia, cheguemos à vida eterna. 

Feliz Natal a todos, que Deus abençoe as famílias!

Castidade – Um chamado de Deus

Os jovens do Movimento Água Viva solicitaram aos seus casais um encontro que discutisse a temática da Castidade a luz da doutrina Católica Apostólica Romana. Para atender esta demanda, foi realizado um encontro que aconteceu no dia 05/10/2019 na igreja Nossa Senhora de Loreto, Base Aérea de Florianópolis/SC – Brasil, que contou com 3 momentos.

No primeiro momento ocorreram duas palestras, a primeira ministrada pelo Leandro da Jeane e a segunda ministrada pelo Jeferson da Schaiane. No segundo momento aconteceu uma roda de conversa segmentada entre os homens e entre as mulheres. No terceiro momento realizou-se um fechamento com oração e uma adoração ao Santíssimo Sacramento ministrado pelo Samir da Natalia. Jovens, Adultos e Casais participarem deste belo momento.

O primeiro momento foi gravado e disponibilizado no formato de Podcast nos principais players da internet:

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Aniversário de 29 anos do MAV :)

Nosso momento de comemoração dos 29 anos do Movimento. Será um momento de convivência e descontração.

Como vai funcionar?

Pedimos que a cada dois levem um prato para ser compartilhado (salgadinho, torta salgada, pão de queijo, bolo) e um refrigerante, suco ou água.

Santa Missa

De lá iremos direto para a Santa Missa em ação de graças ao Movimento, e depois da missa partiremos um bolo com a comunidade!

Bora passar uma tarde maravilhosa com os irmãos e terminar com a presença de Deus, tem jeito melhor de comemorar?? Contamos com a presença de todos!!

CHAP CHAP 💙🕊

12º semana: São Mateus

Pontos práticos

  1. Peça a intercessão de São Mateus diariamente para que ele possa nos guiar como movimento
  2. Que durante nosso dia tenhamos São Mateus como espelho nas nossas ações, aquele que respondeu e seguiu prontamente ao Senhor.
  3. Procure ler sobre a vida de São Mateus e pesquisar mais sobre esse santo durante sua semana.

Leituras

Segunda: Mateus 10, 1-10
Terça: Lucas 5, 27-32
Quarta: Mateus 12, 46-50
Quinta: Mateus 18, 19-20
Sexta: João 15, 16-17
Sábado: João 15, 20-22
Domingo: Mateus 28, 18-20

11º semana: Praticar a caridade

📌 Pontos práticos

  1. Reze uma ave maria diariamente na intenção daqueles que passam dificuldades para que Maria interceda providenciando aquilo que mais necessitam
  2. Esteja com olhar atento para aqueles que te rodeiam, às vezes apenas escutar e conversar pode ser um ato de caridade no seu dia.
  3. Faça alguma doação seja em dinheiro, em alimento ou de alguma outra forma nessa semana.

📌 Leituras

Segunda: Romanos 13, 8-10
Terça: 2 Coríntios 9, 6-11
Quarta: Mateus 25, 34-40
Quinta: Lucas 10, 30-37
Sexta: Lucas 6, 36-39
Sábado: Tiago 2, 14-17
Domingo: 1 João 3, 16-22

Meditação para o Sábado Santo

3. O único Coração que acreditou

O silêncio e as trevas do Sábado Santo são rompidos pela oração luminosa que brota da única fé que jamais vacilou: a fé do Coração Imaculado e doloroso da Virgem Maria.

O Sábado Santo é um dia alitúrgico. O que celebraremos a partir da tarde de hoje, com efeito, já corresponderá à liturgia da noite pascal, quando o nosso Salvador, saindo glorioso do sepulcro na manhã de domingo, vencer a morte e dar-nos uma nova vida. É um dia em que a Igreja dirige o nosso olhar para a Virgem SS., que presenciou ao longo deste Tríduo, compadecida como ninguém mais, a Paixão dolorosíssima de seu Filho.

Ontem, Jesus ofereceu ao Pai seu sacrifício na cruz. Por essa oblação, prevista de distintas maneiras no Antigo Testamento, a humanidade foi resgatada. Uma das prefigurações e anúncios do sacrifício vicário de Cristo encontra-se, por exemplo, no sacrifício de Isaac (cf. Gn22). Abraão, nosso pai na fé, subiu o monte Moriá acompanhado de seu filho, a quem gerara na velhice. Isaac, como diz a Escritura, levava aos ombros a lenha do holocausto sobre a qual ele mesmo seria sacrificado; Abraão, de coração aflito, trazia o fogo, símbolo de sua fé, e a faca para a imolação.

Esse episódio, prenúncio e figura do sacrifício vindouro, repetir-se-ia, segundo a tradição, no mesmo lugar. O monte Moriá, com efeito, seria o próprio monte Sião, sobre o qual fora erguida a cidade santa de Jerusalém, que tempos depois mataria sobre o Calvário o seu divino Redentor. No mesmo lugar, cerca de dois mil antes, Abraão subira a mesma montaha que subirá a Virgem SS.: ele, acompanhado de seu filho com a lenha nas costas, para ser provado na fé; ela, seguindo a seu Filho com a cruz nos ombros, levava no Coração a tocha de uma fé perfeitíssima.

Maria, que ouviu do Anjo as seguintes palavras: “O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (Lc 1, 32), via ontem o seu Filho entregue aos algozes e pregado a uma cruz. E no entanto a sua fé não vacilou. Ela, iluminada desde sempre pelo Espírito Santo, entrevia a necessidade daquela morte, tão ultrajante como gloriosa, tão dura de contemplar e, ao mesmo tempo, tão cheia de esperança. Maria sabia, sim, que a morte não daria a última palavra, porque o Senhor mesmo tinha dito: “Depois de três dias ressuscitarei”.

Mas como podemos ter certeza de que o Coração Imaculado de nossa Mãe não fraquejo, não esboçou, ainda que de leve, uma certa desconfiança ou descrença? A resposta consta com toda clareza nas páginas do Evangelho. S. Marcos nos relata que, quando passou o sábado, três mulheres — Maria Madalena, a mãe de Tiago e Salomé — saíram às pressas ao sepulcro com o propósito de embalsamar o corpo de Nosso Senhor. São três mulheres fidelíssimas que, segundo o Evangelho (cf. Jo 19, 25), permaneceram firmes junto da cruz de Cristo.

O que chama a atenção é que, entre elas, na manhã de domingo, não estivesse também Maria. Como entender essa ausência? Por que justamente a Mãe do crucificado, após três horas de pé vendo-lhe o suplício, se recusaria a dar-lhe os últimos cuidados, fechando-lhe as feridas e dando-lhe digna sepultura? Que mãe se negaria a ver pela última vez o corpo do filho, de prestar-lhe a última homenagem, de expressar-lhe o último sinal de carinho, de amor, de saudade?

E no entanto Maria não as acompanhou. Maria não foi ao sepulcro porque sabia, pela fé que durante toda a vida alimentara, que o Senhor não estava mais lá. A fé das outras mulheres, essa, sim, sucumbiu; do contrário, teriam crido na promessa de Jesus. Quando Ele deu o último suspiro, apagou-se-lhes do coração o pouco de fé que tinham. Maria Madalena, a mãe de Tiago e Salomé deram, sim, prova de fidelidade; mas, no fim, não conseguiram crer na Ressurreição prometida. O mesmo se diga de S. João, o único sacerdote ordenado que permaneceu, impávido e fiel, diante do Senhor crucificado: também ele, ao receber a notícia de que o corpo de Jesus sumira do sepulcro, saiu correndo a ver se era verdade o que lhe diziam.

Maria, porém, teve fé desde o início. Com a morte de Cristo, a Igreja vê-se reduzida, neste dia de amarga solidão e silêncio, a um só coração, ao único que jamais deixou de crer: ao Coração de Nossa Senhora. Neste Sábado Santo, portanto, somos instados a pedir-lhe um coração semelhante, capaz de crer verdadeiramente na palavra e no amor de Jesus Cristo. E não só isso: dentro do panorama da Paixão, devemos pedir a nossa Mãe bendita um coração que seja também sensível aos padecimentos do Senhor. Maria é Mãe fiel, mas é ainda Virgem dolorosa, compadecida dos sofrimentos suportados pela Vítima santa dos nossos crimes.

O pecado, com efeito, nos endurece a alma, torna-nos indiferentes às dores de Cristo na Cruz. Mas quem o ama, compadece-se de vê-lo padecer. E esse amor só é possível se antes houver fé. Sem isso, a figura do crucificado não representará mais do que um simples crime, de uma injustiça, capaz talvez de gerar alguma comoção, superficial e passageira. Mas não é só isso o que lá está: na cruz, vista sob a luz da fé, está pregado o nosso Amor e Sumo Bem, desprezado, rejeitado, desfigurado, saturado de opróbrios.

Que nossa Mãe e Senhora, Virgem corredentora, ajude-nos a tomar parte em sua compaixão cheia de dor e amor, a fim de podermos oferecer a Cristo uma caridade mais pura e ao Pai, o sacrifício de uma fé firme e sincera. — Ó Mãe Santíssima, aproximamo-nos neste Sábado Santo do vosso materno Coração: dai-nos descobrir, sob o véu de vossas lágrimas, a chama ardentíssima de fé e amor que, acendida em vosso Imaculado Coração, ilumina este dia de silêncio e saudade. Que, fortalecidos na fé por vosso auxílio, mereçamos dar ao vosso Filho todo o amor de que Ele é digno.

Fonte:
https://padrepauloricardo.org/episodios/o-unico-coracao-que-acreditou

Padre Paulo Ricardo

Jesus ressuscita para a vida

Hoje meditamos a décima quinta estação da Paixão de Nosso Senhor: Jesus ressuscita para a vida

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

“Por que buscais entre os mortos aquele que vive? Não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘É necessário o Filho do Homem ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e, no terceiro dia, ressuscitar’” (Lc 24,5b-8).

E é por meio da ressurreição que podemos ter a certeza daquilo que já havia sido dito: “o amor de Deus é mais forte do que a morte” (cf. Ct 8,6). Há várias passagens na bíblia sagrada que podemos refletir, mas São Paulo mostra o quanto a nossa fé só tem sentido com base na paixão e ressurreição do Senhor:  

“Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição de mortos? Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. (1 Coríntios 15, 12-14)

Além disso muitos santos da Igreja falam e meditam sobre o assunto, São João Paulo II fala que:

“Cristo Ressuscitou. É este o acontecimento novo e prodigioso, verdadeiro e incontroverso, sobre o qual tudo se funda; é esta, de há muito e para sempre, a pedra angular, rejeitada pelos construtores. E, em nenhuma outra, senão nela, existe a salvação .”

Acreditamos em um Cristo ressuscitado, e a Sua ressurreição é um fato histórico incontestável. É o que celebramos semanalmente nas missas dominicais, é o centro da nossa fé, é o que nos torna cristãos. Se Cristo ressuscitou acreditamos que nós também podemos viver eternamente, e que o caminho do céu também é para nós.

Ele ressuscitou! Aleluia! Aleluia! Quanta alegria!

📍Reze 1 Pai Nosso, 1 Ave-Maria e 1 Glória ao Pai em agradecimento por ter nos dado a vida, e vida em abundância!

Meditação para a Sexta-feira Santa

2. “Tudo está consumado!”

Ao consumar hoje todas as coisas, bebendo do cálice que o Pai lhe reservara, Nosso Senhor quer unir-nos pela Sagrada Eucaristia ao amor infinito representado no seu sacrifício na cruz.

O que na noite de ontem, Quinta-feira Santa, foi realizado no Cenáculo irá se estender ao longo de todo este dia, até que Jesus, de braços abertos na cruz, enfim declare: “Tudo está consumado”. Mas o que é, afinal de contas, essa consumação de que fala o nosso Redentor no Evangelho segundo S. João? Antes de tudo, repassemos brevemente como se comemorava a páscoa judaica.

O Senhor, durante a Última Ceia, celebrara o Seder, a liturgia pascal dos judeus. Prescrevia-se que, nesta cerimônia, dividida em quatro grandes partes, houvesse também quatro cálices de vinho. O primeiro, misturado com ervas amargas, bebia-se logo após a recitação do Kidush. Em seguida, na parte correspondente ao Maguid, lia-se a história do Êxodo, ou seja, da saída do povo hebreu da escravidão do Egito. Foi o terceiro cálice cerimonial, também chamado “cálice da bênção”, que Jesus, tomando-o em suas veneráveis mãos, consagrou e converteu em seu Preciosíssimo Sangue.

O Apóstolo Paulo alude a este fato ao escrever as seguintes linhas aos fiéis de Corinto: “O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Cor 10, 16). Fariseu e profundo conhecedor da Lei, S. Paulo utiliza aqui o termo “cálice da bênção” com um sentido preciso, referente justamente ao terceiro copo de vinho do Seder de Pessach.

O quarto cálice devia ser consumido depois do Halel, em que se recitava uma série de cânticos e salmos. Jesus, porém, rompe aqui a lógica da liturgia judaica ao dizer, após a consagração feita sobre o terceiro cálice e sua entrega aos discípulos: “Em verdade vos digo: já não bebereido fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus” (Mc 14, 25). Terminado o canto dos salmos, refere o evangelista S. Marcos, saíram todos do Cenáculo em direção ao monte das Oliveiras (cf. Mc 14, 26).

O Senhor, portanto, interrompe a cerimônia antes da ingestão do quarto copo, chamado “cálice da consumação”, precisamente por ser o último, ou seja, o que de alguma maneira encerra a celebração pascal. Não só isso. Jesus anuncia ainda: “Não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus”. A consumação da Páscoa, ou seja, o quarto cálice cerimonial não é, pois, senão o sacrifício redentor do Calvário. É precisamente por isso que, em oração no Horto das Oliveiras, Ele se dirige ao Pai nesses termos: “Aba! Pai! Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres” (Mc 14, 36).

O Senhor, Cordeiro a ser imolado, sabe que o cálice que Ele há de beber, a fim de consumar a celebração pascal, é o cálice de sua morte na cruz. Daí o sentido profundo que adquire o seguinte relato de S. João. Jesus, pregado ao madeiro, diz pouco antes de expirar: “Tenho sede” (Jo 19, 28). Como houvesse ali um pouco de vinagre, isto é, vinho azedo, levaram-no à boca numa esponja “na haste de um hissopo” (Jo 19, 29). E o hissopo, como se sabe, era justamente o ramo previsto no Antigo Testamento para aspergir o sangue do cordeiro nas portas do judeus.

Ora, se o Senhor bebe aqui outra vez “do fruto da videira” é porque, segundo suas próprias  palavras, o Reino de Deus finalmente chegou: “Bebê-lo-ei de novo”, dissera Ele, “no Reino de Deus”. A isso se segue, pois, aquele anúncio com que iniciamos nossa meditação: “Tudo está consumado!” Ele consuma a sua Páscoa, dando-nos não só o seu Sangue, mas também o seu Corpo, entregue como alimento e meio de unir-nos a Ele numa estreitíssima comunhão de corações.

Na Sexta-feira Santa, não se realiza o sacrifício eucarístico, porque toda a Liturgia de hoje, memorial da Paixão e Morte do Senhor, é como uma continuação da Liturgia de ontem, que parece “interrompida” — em silêncio e sem bênção — pela translação processional da Sagrada Reserva ao altar da reposição. Neste dia, ouvindo as leituras e o relato da Paixão e adorando solenemente a santa cruz, podemos unir-nos uma vez mais ao Cordeiro imolado no rito da comunhão. É um dia em que a Igreja, embora não celebre Missa, dá aos fiéis as sagradas espécies consagradas na noite de Quinta-feira, indicando assim o nexo indissolúvel entre os mistérios celebrados nestes dois dias.

Por isso, ao recebermos hoje o Senhor presente na Eucaristia, devemos ter fé de que em nós se consuma aquela aliança de amor desejada por Ele desde o ventre de Maria. Sim, Ele hoje livrou-nos dos nossos pecados, apagou com o seu Sangue o reato da antiga pena, contraída por Adão à sua descendência; hoje Ele veio, com o seu Corpo adorável, dar-se-nos em alimento, em remédio, em penhor de salvação. Que não façamos pouco caso das dores com que Ele nos deu tão precioso dom, o dom de si mesmo, dado de comer aos que escolheu antes da constituição do mundo.

Peçamos à Virgem SS., a S. José e a todos os santos e anjos do céu que intercedam por nós junto de Deus e nos alcancem, por suas preces e rogos, a graça de uma fé viva na presença realde Cristo na Sagrada Eucaristia e no caráter essencialmente sacrificial da Santa Missa, a fim de podermos sempre comungar santamente, sabendo tirar todo o proveito possível de tão doce e suave alimento.

Fonte:
https://padrepauloricardo.org/episodios/tudo-esta-consumado

Padre Paulo Ricardo