Ano de São José | Formação

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José».

Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o género de pai que era e a missão que a Providência lhe confiou.

Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um «homem justo» (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39) e através de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer num estábulo, «por não haver lugar para eles» (Lc 2, 7) noutro sítio. Foi testemunha da adoração dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pagãos.

Teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: dar-Lhe-ás «o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significava conseguir um título de pertença, como fez Adão na narração do Génesis (cf. 2, 19-20).

No Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – juntamente com a mãe – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e Maria (cf. Lc 2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf. Mt 2, 13-18). Regressado à pátria, viveu no recôndito da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia – donde (dizia-se) «não sairá nenhum profeta» (Jo 7, 52), nem «poderá vir alguma coisa boa» (Jo 1, 46) –, longe de Belém, a sua cidade natal, e de Jerusalém, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (tinha ele doze anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontrá-Lo três dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-50).

Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: o Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica»,[2] o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»;[3] e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor».[4] O povo invoca-o como «padroeiro da boa morte».[5]

Assim ao completarem-se 150 anos da sua declaração como Padroeiro da Igreja Católica, feita pelo Beato Pio IX a 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar «a boca – como diz Jesus – falar da abundância do coração» (Mt 12, 34), para partilhar convosco algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. Tal desejo foi crescendo ao longo destes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que «as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. (…) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos».[6] Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão.

1. Pai amado

A grandeza de São José consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Como tal, afirma São João Crisóstomo, «colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico».[7]

São Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da encarnação e à conjunta missão redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Família para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua vocação humana ao amor doméstico na oblação sobre-humana de si mesmo, do seu coração e de todas as capacidades no amor colocado ao serviço do Messias nascido na sua casa».[8]

Por este seu papel na história da salvação, São José é um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, como prova o facto de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, há séculos, se realizarem em sua honra várias representações sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de Ávila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a São José e recebendo todas as graças que lhe pedia; animada pela própria experiência, a Santa persuadia os outros a serem igualmente devotos dele.[9]

Em todo o manual de orações, há sempre alguma a São José. São-lhe dirigidas invocações especiais todas as quartas-feiras e, de forma particular, durante o mês de março inteiro, tradicionalmente dedicado a ele.[10]

A confiança do povo em São José está contida na expressão «ite ad Joseph», que faz referência ao período de carestia no Egito, quando o povo pedia pão ao Faraó e ele respondia: «Ide ter com José; fazei o que ele vos disser» (Gn 41, 55). Tratava-se de José, filho de Jacob, que acabara vendido, vítima da inveja dos seus irmãos (cf. Gn 37, 11-28); e posteriormente – segundo a narração bíblica – tornou-se vice-rei do Egito (cf. Gn 41, 41-44).

Enquanto descendente de David (cf. Mt 1, 16.20), de cuja raiz deveria nascer Jesus segundo a promessa feita ao rei pelo profeta Natan (cf. 2 Sam 7), e como esposo de Maria de Nazaré, São José constitui a dobradiça que une o Antigo e o Novo Testamento.

2. Pai na ternura

Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4).

Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13).

Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura,[11] que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9).

A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a São Paulo dizer: «Para que não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir, a fim de que não me orgulhasse. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza”» (2 Cor 12, 7-9).

Se esta é a perspetiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.[12]

O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um juízo negativo, ao passo que o Espírito trá-la à luz com ternura. A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10). Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura. Paradoxalmente, também o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, é para nos condenar. Entretanto nós sabemos que a Verdade vinda de Deus não nos condena, mas acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24).

A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.

3. Pai na obediência

De forma análoga a quanto fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, também revelou a José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua vontade.[13]

José sente uma angústia imensa com a gravidez incompreensível de Maria: mas não quer «difamá-la»,[14] e decide «deixá-la secretamente» (Mt 1, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a resolver o seu grave dilema: «Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). A sua resposta foi imediata: «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo» (Mt 1, 24). Com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria.

No segundo sonho, o anjo dá esta ordem a José: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt 2, 13). José não hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades que encontraria: «E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15).

No Egito, com confiança e paciência, José esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu país. Logo que o mensageiro divino, num terceiro sonho – depois de o informar que tinham morrido aqueles que procuravam matar o menino –, lhe ordena que se levante, tome consigo o menino e sua mãe e regresse à terra de Israel (cf. Mt 2, 19-20), de novo obedece sem hesitar: «Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel» (Mt 2, 21).

Durante a viagem de regresso, porém, «tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Então advertido em sonhos – e é a quarta vez que acontece – retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré» (Mt 2, 22-23).

Por sua vez, o evangelista Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém, devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Império, como todos os outros meninos.

São Lucas, de modo particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescrições da Lei: os ritos da circuncisão de Jesus, da purificação de Maria depois do parto, da oferta do primogénito a Deus (cf. 2, 21-24).[15]

Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat», como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani.

Na sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf. Ex 20, 12).

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua,[16] fazendo-Se «obediente até à morte (…) de cruz» (Flp 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por aquilo que sofreu» (5, 8).

Vê-se, a partir de todas estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».[17]

4. Pai no acolhimento

José acolhe Maria, sem colocar condições prévias. Confia nas palavras do anjo. «Anobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento».[18]

Na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado não entendemos. E a nossa primeira reação, frequentemente, é de desilusão e revolta. Diversamente, José deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história. Se não nos reconciliarmos com a nossa história, não conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre reféns das nossas expectativas e consequentes desilusões.

A vida espiritual que José nos mostra, não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Só a partir deste acolhimento, desta reconciliação, é possível intuir também uma história mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe está a acontecer, responde: «Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?» (Job 2, 10).

José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor nos pode dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões.

A vinda de Jesus ao nosso meio é um dom do Pai, para que cada um se reconcilie com a carne da sua história, mesmo quando não a compreende totalmente.

O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!» É necessário deixar de lado a ira e a desilusão para – movidos não por qualquer resignação mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperança – dar lugar àquilo que não escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de nós pode recomeçar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E não importa se tudo parece ter tomado já uma direção errada, e se algumas coisas já são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso coração nos censure de qualquer coisa, Ele «é maior que o nosso coração e conhece tudo» (1 Jo 3, 20).

Reaparece aqui o realismo cristão, que não deita fora nada do que existe. A realidade, na sua misteriosa persistência e complexidade, é portadora dum sentido da existência com as suas luzes e sombras. É isto que leva o apóstolo Paulo a dizer: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). E Santo Agostinho acrescenta: tudo, «incluindo aquilo que é chamado mal».[19] Nesta perspetiva global, a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes.

Assim, longe de nós pensar que crer signifique encontrar fáceis soluções consoladoras. Antes, pelo contrário, a fé que Cristo nos ensinou é a que vemos em São José, que não procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso.

O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27), é «pai dos órfãos e defensor das viúvas» (Sal 68, 6) e manda amar o forasteiro.[20] Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).

5. Pai com coragem criativa

Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo àquilo que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra caraterística importante: a coragem criativa. Esta vem ao de cima sobretudo quando se encontram dificuldades. Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo. Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter.

Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância», apetece-nos perguntar por que motivo Deus não interveio de forma direta e clara. Porque Deus intervém por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14).

Numa leitura superficial destas narrações, a impressão que se tem é a de que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, não obstante a arrogância e a violência dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência.

Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar.

Trata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paralítico que, desejando levá-lo à presença de Jesus, fizeram-no descer pelo teto (cf. Lc 5, 17-26). A dificuldade não deteve a audácia e obstinação daqueles amigos. Estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, «não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao teto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. Vendo a fé daqueles homens, disse: “Homem, os teus pecados estão perdoados”» (5, 19-20). Jesus reconhece a fé criativa com que aqueles homens procuram trazer-Lhe o seu amigo doente.

O Evangelho não dá informações relativas ao tempo que Maria, José e o Menino permaneceram no Egito. Mas certamente tiveram de comer, encontrar uma casa, um emprego. Não é preciso muita imaginação para colmatar o silêncio do Evangelho a tal respeito. A Sagrada Família teve que enfrentar problemas concretos, como todas as outras famílias, como muitos dos nossos irmãos migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Neste sentido, creio que São José seja verdadeiramente um padroeiro especial para quantos têm que deixar a sua terra por causa das guerras, do ódio, da perseguição e da miséria.

No fim de cada acontecimento que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou (cf. Mt 1, 24; 2, 14.21). Com efeito, Jesus e Maria, sua mãe, são o tesouro mais precioso da nossa fé.[21]

No plano da salvação, o Filho não pode ser separado da Mãe, d’Aquela que «avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz».[22]

Sempre nos devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas forças Jesus e Maria, que misteriosamente estão confiados à nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, à nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José aquele que não só Lhe quer salvar a vida, mas sempre A sustentará a Ela e ao Menino. Neste sentido, São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história e ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria.[23] José, continuando a proteger a Igreja, continua a proteger o Menino e sua mãe; e também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua mãe.

Este Menino é Aquele que dirá: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Assim, todo o necessitado, pobre, atribulado, moribundo, forasteiro, recluso, doente são «o Menino» que José continua a guardar. Por isso mesmo, São José é invocado como protetor dos miseráveis, necessitados, exilados, aflitos, pobres, moribundos. E pela mesma razão a Igreja não pode deixar de amar em primeiro lugar os últimos, porque Jesus conferiu-lhes a preferência ao identificar-Se pessoalmente com eles. De José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua mãe.

6. Pai trabalhador

Um aspeto que carateriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo.

O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?

A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!

7. Pai na sombra

O escritor polaco Jan Dobraczyński, no seu livro A Sombra do Pai,[24] narrou a vida de São José em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de José, que é, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele. Lembra o que Moisés dizia a Israel: «Neste deserto (…) vistes o Senhor, vosso Deus, conduzir-vos como um pai conduz o seu filho, durante toda a caminhada que fizeste até chegar a este lugar» (Dt 1, 31). Assim José exerceu a paternidade durante toda a sua vida.[25]

Não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito.

Na sociedade atual, muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai. A própria Igreja de hoje precisa de pais. Continua atual a advertência dirigida por São Paulo aos Coríntios: «Ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais» (1 Cor 4, 15); e cada sacerdote ou bispo deveria poder acrescentar como o Apóstolo: «Fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho» (4, 15). E aos Gálatas diz: «Meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós!» (Gl 4, 19).

Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradição, referindo-se a José, ao lado do apelido de pai colocou também o de «castíssimo». Não se trata duma indicação meramente afetiva, mas é a síntese duma atitude que exprime o contrário da posse. A castidade é a liberdade da posse em todos os campos da vida. Um amor só é verdadeiramente tal, quando é casto. O amor que quer possuir, acaba sempre por se tornar perigoso: prende, sufoca, torna infeliz. O próprio Deus amou o homem com amor casto, deixando-o livre inclusive de errar e opor-se a Ele. A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade, e José soube amar de maneira extraordinariamente livre. Nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida.

A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança. O seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança. O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição. Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração.

A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou «inútil», quando vê que o filho se torna autónomo e caminha sozinho pelas sendas da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que aquele Menino não era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados. No fundo, é isto mesmo que dá a entender Jesus quando afirma: «Na terra, a ninguém chameis “Pai”, porque um só é o vosso “Pai”, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos que nunca é exercício de posse, mas «sinal» que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que «faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 45); e sombra que acompanha o Filho.

* * *

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José.

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão[26] e Moisés,[27] como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34).

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado».[28] A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho.

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16).[29] O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente.

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!»[30]

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

Dirijamos-lhe a nossa oração:

Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;

e
m vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amen.

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.

Francisco

Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html

Aprenda a rezar o terço da Misericórdia às 15h

Os ministérios de intercessão e dos criativos do Movimento Água Viva se uniram para criar um guia de oração para rezar o terço da Misericórdia diariamente, Baixe, salve no celular, mande para seus familiares e amigos e juntos, vamos rezar pela Misericórdia de Jesus por cada um de nós e pelo mundo inteiro.

Guia de oração para rezar o terço da Misericórdia

Baixar a imagem do Terço da Misericórdia

Por que rezar o terço da Misericórdia?

A melhor forma de entender o que significa rezar o terço da Misericórdia diariamente às 15h, na dita hora da Misericórdia, é lendo o livro Diário de Santa Faustina .

Em uma tentativa de fazer um super resumo, podemos relatar que o prório Jesus Cristo apareceu a Santa Faustina pedindo que ela pintasse a sua imagem, como ela estava vendo, e escrevesse a baixo dela “Jesus, eu confio em Vós”. Algo que ela não teve sucesso em realizar, por não ter habilidades artísticas para tal missão, se rendeu a pedir que um verdadeiro artista o fizesse.

Continue lendo “Aprenda a rezar o terço da Misericórdia às 15h”

Pentecostes, o sopro de Jesus

Eaii galeraa, vocês estão sabendo o que comemoramos hoje? Certamente se você já participar a santa missa de hoje já está ligado sobre o que vamos falar. Hoje é uma solenidade, uma data muito especial para a Igreja, e queremos refletir um pouco sobre ela. Bora?

Para começar nossa reflexão, precisamos ver o que Jesus nos fala no evangelho de São João e, também, o que encontramos no livro dos Atos dos Apóstolos.

Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso que encheu toda a casa onde encontravam. Apareceram-lhe, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo

(At 2, 1-4)

Ele lhes disse de novo: ‘A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio.’ Dizendo isso soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo.

(Jo 20 21-22)

Pentecostes!

O dia em que se completou a páscoa de Cristo Crucificado, o dia em que Jesus soprou sobre a Igreja, o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, o dia em que os homens que estavam trancados com medo, saíram para pregar a salvação. O dia em que o Pai celestial nos envia o auxílio necessário para vivermos na graça. A partir deste momento a Igreja sai em missão. É um novo tempo que se inicia!

Podemos fazer uma relação do dia de Pentecostes com o dia em que recebemos o sacramento da Crisma. Este sacramento faz parte na iniciação cristã, mas é o ponto final dessa trajetória inicial, aquele momento em que atingimos a maturidade cristã e que recebemos os dons do Espírito Santo.

Quando recebemos esses dons, assumimos o compromisso de sermos servos de Deus, de fazer a sua vontade e de pregar o Seu evangelho, ou seja, assumimos o compromisso de salvar almas. Lá em Pentecostes, quando estava João, Lucas, Pedro e os outros, eles receberam esse espírito e aquele medo que tinham dos judeus, foi transformado em fortaleza para assim, saírem pelas ruas pregando e convertendo. E este Espírito vem como fogo a nos incendiar, a nos consumir por inteiro, nos conduzindo para o Alto.

“Já são sou eu que vivo em mim, mas Cristo vive em mim”.

(Gl 2, 20)

Assim como os apóstolos foram completamente transformados pelo Espírito, eles que antes eram fracos e medrosos, e agora, eram corajosos e fortes, saíram por todos os cantos pregando com audácia e inteligência, sem medo de proclamar a fé e com isso, converteram milhares de pessoas, precisamos nós, sentir esse sopro da coragem e fortaleza que o Nosso Senhor nos envia. Precisamos nós, reacender esta chama que nos consome por inteiro, para nos doar completamente e nos elevar ao Pai.

Ensinamentos do O Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI vem nos ensinar que, o Filho amado de Deus, sopra sobre o povo o seu Espírito, mas é preciso estar muito perto de Jesus para sentir esse sopro, próximo ao ponto de receber e sentir este “hálito” do Cristo Crucificado. Este sopro quando sai de Jesus e entra nos discípulos se constitui como vida, portanto, precisamos dele, do Espírito, para nós também vivermos, e vivermos para Cristo.

Em Pentecostes também estava presente nossa mãe Maria, Ela que já havia experimentado profundamente a ação do Santo Espírito, no momento da concepção de Jesus, quando o Espírito pousa sobre Ela, estava ali para aguardar a Igreja ser batizada pelo mesmo Espírito.

Mãe dos apóstolos

Maria também é mãe dos apóstolos, portanto está ali com eles como uma figura maternal, auxiliando e preparando os seus filhos a perseverarem na fé enquanto esperavam a descida do Espírito Consolador.

Ah meus amigos, que grande graça é ter o Espírito em nós. Que alegria, consolo e fortaleza é saber que temos o Fogo do Espírito para nos conduzir e capacitar todos os dias, em todos os nossos afazeres, medos e percursos. A este Espírito, devemos desejar de todo nosso coração e com todas as nossas forças.

Convido você a ter o hábito de clamar a presença do Espírito Consolador na sua vida, ao acordar, chama por Ele para que te guie e te faça ter um dia fiel a Deus. Quando precisar falar com alguém, clame pela sabedoria do Espírito. Quando estiver com dúvidas, peça o dom da ciência… Peça pelo Espírito em todos os momentos de sua vida. Foi Jesus quem nos enviou este auxílio e nos disse que este, seria o nosso apoio e força em tempos difíceis, para chegarmos ao céu.

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.

Por Cristo Senhor Nosso. Amém”

Ministério de Formação

São Filipe Néri, rogai por nós!

Galera, hoje comemorados o dia de São Filipe Néri, um santo muito  interessante, que teve algumas experiências místicas, tinha um amor imenso pela Eucaristia e pela caridade. E foi com esse santo que escolhemos começar o nosso ciclo de estudos, chamado Na onda de São Filipe Néri.

Bora conhecer um pouco sobre ele?

Filho de pai nobres e piedosos, Filipe Neri nasceu em 1515, na cidade italiana de Florença. De boa índole, modos afáveis e inclinação à oração, o menino mereceu já aos 5 anos o apelido de “o bom Filipe”.

Um incêndio, no entanto, destruiu grande parte da fortuna dos seus pais. Filipe passou a morar com um primo, riquíssimo negociante, em São Germano. O primo prometeu estabelecê-lo como herdeiro de todos os seus bens se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, sentia pouca inclinação a ser negociante; o que ele queria era ser santo e, apesar das insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus. Estudou Filosofia e Teologia em Roma e adotou um modo de vida austeríssimo, que manteve até o fim: alimentava-se de pão, água e legumes, reservava poucas horas ao sono e dedicava longo tempo à adoração.

Desejoso de se devotar à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus. Passava todo o tempo disponível nas igrejas e catacumbas.

Foi nas catacumbas de São Sebastião, em 1545, que recebeu o Espírito Santo em forma de bola de fogo. Sentiu na ocasião tanto ardor do amor de Deus que as fortíssimas palpitações do coração lhe deslocaram a segunda e a quarta costelas.

Com tamanho amor divino, imenso era também o seu amor pelo próximo. Filipe tinha o dom de atrair todos a si com a sua afabilidade, cortesia e modéstia. Era amigo de todos e, uma vez conquistada a sua confiança, os preparava para os sacramentos e os encaminhava para o bem. Passava noites em hospitais cuidando de doentes. O mais belo monumento da sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e cuidar dos enfermos.

No início de cada mês, Filipe convidava o povo a adorar o Santíssimo Sacramento, ocasiões em que, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa ideia ecoou entre o povo, que dava abundantes esmolas à nova instituição. Cardeais, bispos, reis, ministros, generais e princesas viam grande honra em pertencer a esta irmandade.

Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem quando tinha 36 anos. Sua vontade era trabalhar nas Índias e morrer mártir por Cristo. A Vontade de Deus para ele, porém, era que a sua terra de missão fosse a própria Roma. Ele então se tornou apóstolo da capital da cristandade. Chamou homens igualmente distintos pelo saber e pela piedade a fazerem parte da sua obra principal, a fundação da Congregação da Oração. Passava grande parte do dia no confessionário. Às suas conferências espirituais acorriam cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, que se confiavam à direção de São Filipe e o veneravam como a um pai.

Assim como conquistava confiança ilimitada, também ilimitada era a inveja e o ódio que atraía de Satanás e dos seus sequazes. Os confrades tiveram que provar muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição. O ódio dos inimigos chegou a ponto de levarem uma falsa acusação às autoridades eclesiásticas, acarretando para Filipe a suspensão das ordens sacerdotais. Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do Santíssimo Sacramento, o santo não perdeu a paz.

A suspensão acabou sendo retirada. O inimigo principal do santo, caindo em si, fez reparação pública e se tornou seu discípulo.

No final da vida já não conseguia rezar a Santa Missa em público, tamanha a comoção que lhe sobrevinha na celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do Amor de Deus e da Paixão de Cristo. Quando celebrava a Missa, chegando à Santa Comunhão, ficava arrebatado em êxtase pelo espaço de duas a três horas enquanto o seu corpo se elevava à altura de dois palmos. Não é de admirar que o Papa o consultasse em importantes decisões e quisesse beijar as suas mãos.

É à sua prudência e clarividência que a França deve a felicidade de ter permanecido católica no ardor das guerras civis, quando Henrique IV, calvinista, abjurou a heresia cismática e abraçou a fé da Igreja. Quando o rei teve uma recaída no calvinismo e depois voltou mais uma vez para a Igreja, o Papa Clemente VIII, apoiado por cardeais, lhe negou a absolvição. Mas Filipe, prevendo a apostasia da França caso o Papa persistisse nesta resolução, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barônio, confessor do Papa, que o acompanhasse nestes exercícios para alcançar a luz do Espírito Santo. Henrique IV acabou absolvido pelo Papa e recebido solenemente no seio da Igreja.

Alquebrado pela idade e pelo trabalho, Filipe caiu doente. Os médicos que saíam do seu quarto desanimados ouviram-no, porém, exclamar:

“Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!”

Voltando ao quarto, encontraram o santo elevado sobre o leito, exclamando em êxtase:

“Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!”

Os médicos lhe perguntaram o que sentia. Voltando a si, Felipe lhes respondeu com outra pergunta:

“Não vistes a Santíssima Virgem, que me livrou das dores?”

Ele se levantou, completamente curado, e viveu mais um ano.

Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 2 de maio de 1595. Filipe Néri foi beatificado pelo Papa Paulo V em 1614 e canonizado por Gregório XV em 1622.

E aí, se encantaram por esse Santo também, ou foi só eu? Ele teve uma experiência extraordinária com o Espírito Santo, tinha experiências místicas com a eucaristia, ficava horas em adoração, convertia as pessoas, rezava pelos seus, e ainda encontrou Maria num dos momentos de sofrimento. É ou não é demais?! E tem muito mais para conhecermos sobre esse Santo, vem com a gente!

São Filipe Néri, rogai por nós.

Ministério de Formação

Romanos 12, 12

Eaí galeeera, beleza? Como vocês estão?

Saudade de nos reunirmos, ficar batendo papo, comer aquele lanche pós reunião, fazer aquela bagunça de sempre, rezar juntos, ver as crianças correndo nas reuniões e dar um abraço apertado em todos. Somos só nós que estamos com essa saudade ou vocês também?!?!?

Estamos vivendo um período bem diferente na nossa vida, e até na história da Igreja. Um período em que não podemos estar pertinho daqueles que amamos, não conseguimos com tanta facilidade nos confessar e receber Jesus… inclusive em muitos momentos não conseguimos estar em comunhão com Deus, mesmo estando mais em casa e teoricamente com mais tempo disponível.

Muitos de nós estamos trabalhando mais que o normal, colocando em ordem aquelas coisas que nunca conseguimos fazer, tentando organizar a vida para quando voltarmos ao normal, não é mesmo?

Mas e a nossa fé, como está? Nossa vida de oração?

Tudo isso que vivemos já não é fácil, mas se estivermos distantes de Deus, fica mais difícil ainda, por isso hoje a proposta é para refletirmos como está a nossa intimidade com o Cristo ressuscitado. A nossa diferença em relação àqueles que não tem fé, é justamente ter fé em Deus, acreditar que o sentido da nossa vida vai muito além desse momento de sofrimento, é confiar que Deus não nos abandona, é nos jogarmos nos braços do Pai e deixar Ele conduzir nossa vida. É estar firme na rocha mesmo diante da tribulação. Deus é esta rocha, apegue-se a Ele.

Precisamos manter nossa rotina de oração, e para quem ainda não tinha essa rotina, esse é o momento de iniciar! Separe um momento do seu dia para ficar com Deus, conversar com Ele, ler a palavra, rezar, meditar, rezar o terço, conversar com o seu Santo de devoção, pedir a ele que te ajude a viver esse tempo. Separe este momento e seja fiel, encontre-se com Deus diariamente.

Uma carta de São Paulo para nós

Na carta que São Paulo escreveu aos Romanos, ele nos dá um conselho que podemos tomar para nós todos os dias, especialmente nesse momento que pode ser desesperador ou bagunçado para muitos

“Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração”

(Rm 12, 12)

Vamos, alegre-se com a vida que Deus te deu, com o seu trabalho, com o seu estudo, com a família… alegre-se por ter a tecnologia que te une a outras pessoas. Alegra-te! Caso o desânimo e tristeza assombre os seus pensamentos, lembre que estais de pé! Que podes levantar da cama para ver o mundo pela janela, sentir a brisa do vento e assim perceber que é menos um dia para o final dessa crise. Isso tudo vai passar, as tribulações servem para nos fortalecer e santificar, para nos unirmos ao sofrimento de Cristo. Seja paciente! Junte-se a Deus, fique com Ele durante seus afazeres, reze algumas jaculatórias durante o dia, coloque uma imagem santa próximo ao seu local de trabalho/estudo, leia sobre os santos, a doutrina e a bíblia, veja filmes que te edifique, coloque-se no colo de Maria e sob a proteção de São José, reza ao teu Anjo da guarda para te proteger e inspirar. Esteja em comunhão com o céu, reze!

Essa é a oportunidade que temos de restabelecer a nossa intimidade com Deus, de firmar o compromisso de entrega e buscarmos o céu.

Leu uma passagem bíblica e achou interessante? Compartilha com outras pessoas, reflitam sobre ela. Vai rezar o terço? Liga para um amigo e rezem juntos! Estejamos unidos em oração, na esperança e na paciência.

Deus jamais abandona suas ovelhas, tenha fé!

Que Deus lhe abençoe!

Salve Maria.

Ministério de Formação 

Maria, humana como nós

É comum meditarmos a Santidade da Virgem Maria, mas você já parou para meditar a humanidade de nossa Senhora?

Em toda a história da salvação Deus nos deixa claro, seja pela voz do profeta (Isaías) ou mesmo no Gênesis quando declara a inimizade entre a serpente e a mulher, que uma mulher (humana) daria luz ao salvador. Ele não viria nem de uma divindade e muito menos desceria do céu em meio a trombetas, viria como nós, nascido de uma mulher.

A santidade da Virgem Maria

É comum meditarmos a santidade da Virgem Maria, mas por vezes esquecemos de notar o quanto essa santidade está intimamente ligada a humanidade de nossa Senhora. São João Paulo II sabiamente nos escreveu na constituição dogmática Lumem gentium que “todos são chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé e justiça de Deus” (Lumem gentium, 32) . Isso quer dizer que em nossa qualidade humana temos como princípio a busca da santidade, nossa vocação primeira é a de sermos Santos. Nossa Senhora, portanto, seguiu sua vocação primeira com perfeição, atingindo a santidade por ser perfeitamente humana.

Se prestarmos atenção, a sagrada escritura nos mostra traços claros da humanidade de nossa Senhora. Um exemplo está no episódio da anunciação.

Neste episódio, Maria encontrava-se possivelmente recolhida, talvez em oração ou até mesmo nos afazeres de casa, quando o anjo Gabriel adentrou dizendo “Ave cheia de graça, o Senhor é contigo”. Na sequência, a palavra nos diz que Maria ficou cheia de surpresa e confusa com tal saudação. 

A jovem mulher

Aqui precisamos nos imaginar no episódio. Nossa Senhora era uma jovem mulher de uns 15 anos, de muita fé e principalmente com muito conhecimento das sagradas escrituras, sendo assim, sabia perfeitamente o que aquela saudação do anjo significava. Qualquer um de nós, humanos, ficaria surpreso e até mesmo assustado naquela situação e com Maria não foi diferente, ela ficou confusa, talvez até assustada.

O anjo então toma a palavra, acalma nossa Senhora e explica que ela faria parte da história da salvação, do cumprimento das promessas de Deus, sendo o meio pelo qual o Salvador viria ao mundo. Ao fim da explicação, é possível imaginar o silêncio que pode ter tomado conta daquele ambiente: Maria, uma simples jovem, havia sido convidada para participar de algo que mudaria completamente a sua história, a história da humanidade. A resposta de nossa Senhora nesse momento definiria tudo e ela, na sua humanidade, disse sim, mas não apenas um sim qualquer. Maria disse o seu fiat! (faça-se) e mostrando toda a sua pequenez humana para trazer o Deus vivo a este mundo, entregou esta tarefa nas mãos de Deus.

Maria com certeza teve muitos desafios durante a sua vida. Além de viver em uma época muito difícil para as mulheres, nossa Senhora precisou abrir mão de muitas coisas para servir inteiramente a Deus. Ela entregou suas vontades, seus planos, tudo o que tinha para ser inteiramente a medianeira, aquela que geraria e faria crescer o filho de Deus.

Nossa senhora além de gerar e cuidar da criação e educação de Jesus, fazendo-o crescer em tamanho e sabedoria, também foi responsável pelos cuidados da casa e também de São José seu esposo que, segundo a tradição, tinha mais idade que ela. Sendo assim, além da visão de mãe terna e carinhosa, Maria nos ensina a determinada determinação que se deve ter no servir a Deus no ordinário de cada dia.

É comum em nossa juventude meditarmos sobre as vocações e principalmente sobre como vamos buscar a santidade no ordinário dos nossos dias.

Maria foi um exemplo de extraordinário no ordinário da sua vivência humana. 

Pensando no ordinário e na busca de santidade no dia a dia, temos em nossas casas exemplos de seres humanos que, às vezes sem saber, estão buscando a santidade, são eles os nossos pais. Por vezes eles vivem sacrifícios diários a favor da nossa criação e educação, seja para pôr comida na mesa ou então para nos dar condições melhores no futuro, eles sempre estão dispostos a se gastarem pelo nosso melhor. O que seria isso se não uma profunda vivência humanitária, atos de amor fraterno por uma criatura de Deus que veio ao mundo através deles – a profunda vivência humanitária nos aproxima da santidade, nos ensina a Virgem Maria. Portanto, devemos perceber que em cada gesto de humanidade existe um toque divino, um aroma Santo, que nos aproxima de Deus e nos assemelha a Nossa Senhora.

O exemplo do “SIM” de Maria

A partir da humanidade de Maria e do seu “sim”, deu-se início ao cumprimento da promessa da salvação. A partir do “sim” humano de nossos pais, deu-se início a nossa história de salvação particular. Agora chega a nossa vez.

Que Maria seja exemplo de ser humano para cada um de nós e que, ao reflexo dela, possamos viver o extraordinário no ordinário das nossas vidas, amando e servindo a Deus em cada gesto simples de humanidade.

Por Vinicius Bandeira